Zona Neutra

A videoinstalação ‘Zona Neutra’ é composta por três vídeos que se comportam no campo entre o registro performático e a videoarte. Eles são resultado de uma performance baseada na ação física de uma extenuante caminhada nos arredores do campo de concentração de Sachsenhausen, em Oranienburg, Alemanha. A caminhada é compreendida como uma prática de prolongada reflexão meditativa acerca dos paralelos entre a crescente retórica extremamente competente de movimentos congregados sobre a égide de uma extrema-direita, que vem se alimentando do contexto polarizado de pensamento e do ambiente pernicioso do ciberespaço, ganhando cada vez mais adesão política em vários países, como o Brasil.

Não se trata pois de uma flagrante comparação do panorama atual com a barbárie proveniente da Segunda Guerra Mundial, mas ao contrário. Trata-se de uma ênfase na infiltração sorrateira do discurso totalitário e sua condução à prática. Nos vídeos, nenhuma imagem de Sachsenhausen, apenas suas deslumbrantes paisagens adjacentes, o silêncio da floresta e o registros do percurso. Ao final do vídeo I, um trecho gravado do áudio-guia do Museu de Sachsenhausen situa o espectador territorialmente.

Sachsenhausen foi escolhido por ser um contundente símbolo dos riscos de uma histriônica polarização política como se percebe em escala global atualmente, atestando historicamente os perigos do totalitarismo, que não se distingue entre polos políticos. O próprio campo, por exemplo, fora tanto um campo de concentração Nazista – de 1936 a 1945 – como o maior campo especial do leste da Alemanha, sobre a égide do serviço secreto soviético NKWD , entre 1945 e 1950.

One of the results of my experiences in Germany is 'Zona Neutra', a 3-channel video installation. The videos are based on a performance and on the physical action of a long walk on the outskirts of the Sachsenhausen concentration camp, in Oranienburg. The walk was taken as a practice of a prolonged reflection on the parallels between the growth of alt-right movements, which have been feeding on the polarized context of thought and the pernicious environment of cyberspace, gaining each more political adherence in several countries, such as Brazil.
It is not, however, a comparative anachronistic approach to the current panorama and the atrocities of the World War II, its antecedents and deflagrations. The emphasis is on the sneaky infiltration of totalitarian discourse and its leading to a practice. In the video, there is no image of Sachsenhausen, only of the adjacent landscapes, the surrounding forest, silence and the records of the route. In the end, an excerpt from the audioguide of the Sachsenhausen Museum places the spectator spatially.
Sachsenhausen was chosen as a symbol/image of the risks of a reductionist political polarization, as it is perceived on a global scale today, attesting historically to the dangers of totalitarianism, which is not distinguishable between poles. The camp itself, for example, has been both a Nazi concentration camp - from 1936 to 1945 - as well as the largest special camp in eastern Germany on the aegis of the Soviet secret service NKWD between 1945 and 1950.